Por que a dívida cresce tão rápido
As dívidas de crédito caro, como cartão rotativo e cheque especial, usam juros compostos: os juros do mês passam a fazer parte da dívida e rendem juros no mês seguinte. Para ter uma ideia, uma dívida de R$ 5.000,00 a 10% ao mês (taxa usada só como exemplo) chega a R$ 15.692,14 em 12 meses, quase o triplo do valor original, sem nenhuma compra nova.
Passo a passo para sair do vermelho
- Liste todas as dívidas. Anote credor, saldo, taxa de juros, parcela e vencimento. Sem o quadro completo, qualquer plano é chute.
- Pare de aumentar a dívida. Evite novas parcelas, use dinheiro em vez de crédito e desative o limite de cheque especial, se possível.
- Calcule quanto sobra. Some a renda e subtraia os gastos essenciais. O que sobra, ou o que pode sobrar com cortes temporários, é o seu orçamento de dívidas. O orçamento 50/30/20 ajuda a enxergar para onde o dinheiro vai.
- Escolha uma estratégia de pagamento. Veja a seguir.
- Negocie. Procure o credor antes de o atraso crescer e peça o Custo Efetivo Total (CET) de cada alternativa. Compare propostas e não aceite a primeira.
- Considere trocar dívida cara por dívida barata. Em alguns casos, é possível usar um crédito com juros menores para quitar um com juros maiores. Só vale se a taxa total for realmente menor e se você não voltar a usar o crédito antigo.
- Monte uma mini reserva. Um colchão pequeno evita que um imprevisto volte a gerar dívida.
Bola de neve ou avalanche?
Há dois métodos populares. Na avalanche, você paga o mínimo de todas as dívidas e coloca todo o dinheiro extra na que tem a maior taxa de juros. É matematicamente o mais barato. Na bola de neve, você ataca primeiro a menor dívida, para quitá-la rápido. Custa um pouco mais em juros, mas as vitórias iniciais ajudam muita gente a manter a disciplina. O melhor método é o que você consegue seguir até o fim.
Se a conta não fecha
Quando as parcelas somadas passam do que a renda comporta, o caminho é renegociar o prazo, buscar renda extra e, se necessário, procurar ajuda. A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) prevê a possibilidade de conciliação com os credores, e o Procon da sua cidade pode orientar sobre como iniciar o processo. Confira as regras vigentes antes de decidir.
Depois de quitar
Quando a última dívida acabar, redirecione o valor das parcelas para uma reserva de emergência e, em seguida, para investimentos. Como as parcelas já cabiam no seu orçamento, esse dinheiro não vai fazer falta. É também a melhor hora para entender o que os juros compostos podem fazer a seu favor.